COMUNICÓLOGA
Doutora em Comunicação, com Pós-Doutorado em Sociologia da Infância

Vejamos

— Vem!

— Olha! Não estou te reconhecendo, embora pressinta intimidade, sincera vontade de ir. Não sei se devo, se posso, se é certo… Para onde vamos?

— Eu desejo-te inteira em mim. Se quiseres.

— Admiro pessoas que precisam de poucas palavras.

— Sou a tua Vida.

(Doutora! Minha Vida começou a falar comigo, do nada, durante a corrida, puft, apareceu. É normal? Respira… Dou conta). — Pare! Vida não fala!

— Vem! É hora de despertar do sono dos sentidos, de ouvir a música das esferas.

— És a morte? Não vou! Não! Não agora.

— O que sabes de mim, a Vida?

— Bem, sei que vens de uma mistura imiscível de teorias e crenças.

— Vês?

— Vejo! Hoje em dia, não há o que não se veja!

— Veja-me.

— Um minuto, vou pegar meus óculos.

Siga-me bem: veja.

Des(a)perta o olhar. Não me agarres com braços de escavadeiras, saltando pelos olhos a recortarem, grosseiros, pedaços retorcidos de paisagens.  

— Siga-me bem agora tu, Vida que se diz minha: é preciso ver, com nitidez e foco, as imagens do mundo.

— Imagens nunca são vistas. Imagens são nascidas pelo olhar de quem as vê.

— Falamos a mesma coisa, viste? O olhar produz as imagens do mundo.

— Olhar é ato de receber. É mais do que catalogar imagens pelas frestas da própria existência, acontece fraco pelas vias de olhos mofados, disfarçados de suas verdades por vestes de lentes engorduradas, e não se salva por armação bonita. Abra-te para mim, a tua Vida.

— Para onde vamos?

— Para onde teu olhar quiser me levar.  

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Autor(A)

Videira

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